16 de abril de 2020

Como fazer parte da comunidade nikkei?

Por Erika Yamauti

O Brasil tem a maior comunidade de japoneses e descendentes de japoneses fora do Japão, com quase 2 milhões de pessoas. E temos também mais de 400 entidades nikkeis em todo Brasil, realizando trabalhos lindos, que precisam de muito apoio. ❤️

Recebo muitas mensagens de jovens e pessoas que amam a cultura japonesa e querem ser voluntárias em entidades da comunidade nipo brasileira. Uma coisa que percebi, nesses meus anos como voluntária, é que muita gente quer ajudar, mas não faz a mínima ideia de como começar! 😅

Nesse post, vou compartilhar com você algumas dicas (com a minha opinião PESSOAL) para dar o primeiro passo. E a minha principal dica é começar ajudando o @festivaldojapao, o maior evento de cultura japonesa do Brasil, no qual reunimos mais de 1500 voluntários em nossa equipe (saiba mais e faça seu cadastro em www.festivaldojapao.com/voluntarios).

Confira abaixo as minhas dicas!

1) seja voluntário
Para começar qualquer jornada, é necessário dar o primeiro passo. Se você tem vontade de ajudar a comunidade, procure alguma entidade para ajudar. Eu, por exemplo, comecei na comissão de jovens do Bunkyo. Procure na internet as entidades que estão próximas de você e entre em contato — preferencialmente por telefone ou email. É lógico que não precisa ser uma entidade nikkei! Fazer o bem é sempre bom! ❤️

2) apoie uma causa
Se você gosta da causa de apoio aos animais, procure uma ong de proteção animal. Se você gosta de trabalhos com crianças, procure uma associação que trabalha com educação. E se você realmente acredita que a divulgação da cultura japonesa, dos valores e das tradições do Japão pode ajudar o nosso Brasil, apoie uma entidade da comunidade nikkei! A paixão pela causa precisa ser verdadeira! Nas entidades nikkeis, você pode escolher ajudar um Kaikan (associação), um Kenjinkai (associação de província), tocar taiko (tambor japonês), dançar, cantar, etc!

3) aprenda sobre cultura japonesa
Quando você faz trabalho voluntário na comunidade nipo brasileira, vai perceber que existem muitas diferenças culturais, especialmente se você não for descendente de japoneses, pois os nikkeis brasileiros adotam valores e costumes da cultura japonesa no dia a dia. Por exemplo, o respeito à hierarquia, o trabalho em equipe, a formalidade, a limpeza e organização. Quando terminamos uma reunião, deixamos a sala limpa. Uma decisão passa por vários diretores antes de ser tomada, e muitas vezes isso demora! E isso leva ao próximo item…

4) tenha paciência
No Brasil gostamos de soluções práticas, fáceis e rápidas. Nas entidades nikkeis, muitas vezes as decisões são lentas, complicadas e nada práticas. Mas é algo característico da cultura japonesa, então a gente vai aprendendo a lidar com as coisas de uma maneira mais leve, mais tranquila. Não adianta forçar uma decisão. É necessário aguardar e ter paciência. Vai demorar para você encontrar uma entidade na qual você se sinta em casa. E mesmo trabalhando muito, o reconhecimento pelo seu trabalho vai demorar muito, muito mesmo! Seja paciente, não desista!

5) entenda as diferenças
Existem inúmeras diferenças culturais entre Brasil e Japão. Podemos dizer que são culturas praticamente opostas em quase tudo. As entidades nikkeis são lideradas, em sua maioria, por isseis (japoneses) e nisseis (segunda geração). Somente agora, os sanseis (netos de japoneses) como eu, estão assumindo presidência e liderança de entidades. Portanto é natural que a cabeça e modo de pensar da diretoria seja mais fechada do que a nossa. É preciso entender que existe esse conflito, e a melhor maneira de resolver é conversando, entendendo e respeitando as diferenças entre as pessoas!

6) trabalhe muito
Será muito difícil receber um elogio direto da diretoria da entidade ou da liderança de uma associação japonesa, principalmente se o presidente for issei (1a geração). Japoneses não costumam elogiar muito os outros pelo bom trabalho (pra eles é tipo…uma obrigação). Mas pode ter certeza que eles estão reparando e elogiando as pessoas que mais se destacam. O seu trabalho e esforço será visto e reconhecido com o tempo!

7) escute os mais velhos
A experiência é muito valorizada dentro das entidades nikkeis. É comum que cada entidade tenha um conselho formado por ex-presidentes, e que as grandes comemorações, como os 100 e 110 anos da imigração japonesa (2008 e 2018, respectivamente) reúnam um grande conselho de notáveis, que ficam lá dando apoio e orientando as decisões a serem tomadas. De qualquer forma, para participar de uma entidade nikkei, é muito importante escutar os mais experientes e aprender com eles!

8) faça conexões
Todo evento que você vai, toda reunião que participa, é uma oportunidade para conhecer mais pessoas que tem afinidades com os seus valores e no que você acredita. Sempre que eu participo de alguma atividade, faço um esforço consciente para conhecer mais pessoas e descobrir como posso ajudar e contribuir. Acredito que esse é um bom caminho pra você também! Participe de todas as oportunidades que se colocarem na sua frente, quando elas forem bacanas pra você!

9) não desanime
Para terminar esse post, como expliquei acima, infelizmente ainda existem muitos presidentes e lideranças que tem a cabeça retrógrada. Em pleno 2020, ainda existem entidades nikkeis que só aceitam descendentes como membros. Tem algumas que são fechadas até para mim! E infelizmente, não podemos fazer nada a respeito, pois cada entidade tem o direito e responsabilidade de escolher seus membros. O que posso dizer é que existem muitas entidades e pessoas abertas para participação de voluntários de todas as etnias! Com certeza você vai encontrar uma associação para apoiar e ajudar na sua região! E se precisar de alguma ajuda ou orientação para encontrar, me mande uma mensagem!

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#pracegover
A primeira imagem traz um fundo cinza com um gatinho manekineko. Nas demais imagens, o fundo é cinza e traz os seguintes textos:

Como fazer parte da comunidade nikkei no Brasil?
1) seja voluntário
2) apoie uma causa
3) aprenda sobre cultura japonesa
4) tenha paciência
5) entenda as diferenças
6) trabalhe muito
7) escute os mais velhos
8) faça conexões
9) não desanime